A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) anunciou o nascimento de dois clones bovinos. De acordo com a entidade, o facto tem um sentido especial por serem clones de uma mesma vaca doadora de uma raça em alto risco de extinção, com um número de animais inferior a 100 em todo o país.
"Potira e Porã", como são chamadas as novas bezerrinhas, são clones de uma mesma fêmea bovina da raça Junqueira, que faz parte do Programa de Conservação e Uso de Recursos Genéticos Animais da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, unidade da Embrapa, que deu mais um passo importante para unir a moderna biotecnologia animal ao resgate de parte da história brasileira, com a preservação de raças em extinção
A Embrapa investe na conservação de raças de animais domésticos ameaçadas de extinção desde 1980, em parceria com outras instituições de pesquisa, universidades e criadores. As raças, que envolvem as espécies bovina, suína, caprina, ovina, asinina, bubalina e eqüina, encontram-se no Brasil desde a época da colonização e, por isso, podem ser consideradas verdadeiros tesouros genéticos para programas de melhoramento, pois possuem características de rusticidade, adaptabilidade e resistência a doenças e parasitas adquiridas ao longo dos séculos. Muitas delas encontram-se em risco de extinção, pois foram sendo substituídas por outras consideradas mais produtivas, ainda que menos adaptadas.
Segundo Arthur Mariante, a clonagem é uma tecnologia importante para raças muito ameaçadas de extinção, como é o caso da Junqueira, pois pode resultar na formação de núcleos de conservação de fêmeas clonadas, sobre as quais pode-se utilizar sêmen de diversos touros, contribuindo assim para aumentar a variabilidade genética, o que é fundamental para a restauração da raça.
A clonagem
As duas bezerrinhas são clones de uma mesma vaca doadora, a fêmea bovina da raça Junqueira de número 203, que está sendo conservada no Campo Experimental Sucupira, de propriedade da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. "Porã", que nasceu no dia 10 de abril, pesando 25 kg depois de 292 dias de gestação, e "Potira" no dia 24 de abril, com 29 kg e 290 dias de gestação, foram clonadas a partir de um pedaço da orelha da vaca doadora, quando ela tinha nove anos de idade.
As duas nasceram de parto normal, saudáveis, e estão sendo monitoradas desde a gestação e o nascimento pela equipe da Embrapa quanto aos aspectos comportamentais, genéticos e de desenvolvimento e pela equipe da. Faculdade de Medicina Veterinária da UnB, coordenada pelo professor José Renato Junqueira Borges, quanto aos aspectos clínicos. A empresa Genomax realizou os testes de DNA que comprovaram que o perfil genético das bezerrinhas é igual ao da vaca doadora, e diferente dos perfis das mães de aluguel.